sexta-feira, 29 de junho de 2012

Chore todas as lágrimas do mundo / Angústias não são conexas


Image from: sxc.hu


Todas as lágrimas do mundo

- Jacqueline Collodo Gomes

Chore todas as lágrimas do mundo
Rompa este compressor besouros consumo
Avançar de médias que não se sabe valer

Apague. Apague o que lhe ficou seguindo
Faça ejetar a maldita dor do estar parindo
E um canion longo, caindo, caindo...

Qual a peça que sobra, agora, à mesa?
Tem cor laranja? Frescor e cereja?
É só um amotinado, buscando algo de se ver.

28/06/2012. 23:52.


Nada mais, comigo

- Jacqueline Collodo Gomes

Isto vai te melhorar por dentro?
Maquininha de produzir acalento.
Só uma folha de papel e um giz colorido...

...gritando abrigo.
Papel branco deixado.
Nada mais, comigo.

28/06/2012, 23:55.


E Angústias...

- Jacqueline Collodo Gomes

Angústias não são conexas.
Se fossem, seriam peripécias
e não angústias.

28/06/2012. 23:56.

Image by: Vjeran Lisjak; from: sxc.hu

Se a esperança for uma pequena pena...
Que seja, então, a pequena pena.

23:58. 28/06/2012.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Tudo é tão comum em terra visceral. [...] E para quem está à estrada?

Image from: sxc.hu

Em terra visceral

Jacqueline Collodo Gomes

Tudo é tão comum em terra visceral. Mãos à testa e expressão vencida, o dizer que eu não faço parte disto.
Uma afogada caixa de lembranças. Uma cortina que se põe ao mar. Que cena desesperadora. Cortina longa, não ancora. Onda em onda, superfície, sem ar, pano... Preso, pano, pesado... Ar... Ar.
Ar - eia... Pés. Respiro. Retirada fibra, conjunto têxtil. Mar verde em espumas.
Tudo é tão comum em terra visceral. Mãos à testa e expressão vencida... Vencida... Do dizer que eu não faço parte disto.

20/06/2012, 00:45.


Image from: sxc.hu

Água-limão

Jacqueline Collodo Gomes

Tantos limões para uma limonada
E para quem está à estrada?
De repente se vira limão?

Quem te disse, vida, que podias me espremer?
Quem te disse que eu queria cor em outro ser?
Quem te disse que podias me pôr sabor
na sombra do inverno, forno em grau ardor?

Quem te disse se já fui planta um dia?
Quem te disse de qualquer coisa que se guia?
Quem te deu licença pra escrever em minha testa
marcar pontos, traçar retas - meta estética?

Estúpida! Estúpida! Estúpida!
Desprezo-te porque me reprimiste quando eu era semente
Repudio-te, repudio-te! Por toda acidez transcendente.

Eu não sou limão, vida estúpida!
Eu cai de um caminhão... Mas foi do Carro da Canção.

20/06/2012. 01:00.

Este desenho é assim, claro... Uma flor e um coração tão raro...


Image from: sxc.hu


Manualidades

- Jacqueline Collodo Gomes

(Para Arlequim)

Se você quer pôr uma borboleta em minha mão,
eu deixo... Fico olhando o teu aproximar
Palma acessível ao teu cuidar
Sem movimentos bruscos, só...
Suave... Renda, drapeados
Habitat.

Este desenho é assim, claro
Uma flor e um coração tão raro...
Eu sento na grama, de lado
e sou folha com folhas ao ar.

Eu só não sou uma expedição inteira.
Mas, se você quer pôr uma borboleta no olhar
eu deixo... E será um tão único lugar!

01:23, 20/06/2012.


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Não me deixe nunca pedir que o dia não amanheça

Image from: sxc.hu

Elo

Jacqueline Collodo Gomes

Não me deixe nunca pedir que o dia não amanheça. Que, se eu não suportar a vida, você a suporte por mim. E que o montado jogo de damas posto à mesa tenha sempre este sabor de sobremesa, de nos fazer divertir assim.
E que, quando minha mão falhar ao lápis, você a segure. Ajude no completar das formas que devem existir. E mesmo se a dor da vida me fizer deitar, como agora, encolher-me e contar hora, que você nunca desista de cantar a sua canção por mim.
Eu sou um conjunto de peças que por alguma razão não se reuniu. Sou também a seresta refletida no gingar do rio. Eu sou os traços que unem teus dedos à mão. Sou a conclusão. Tudo o que te precisa, teu pousar em nação.

14/06/2012, 23:32.


Descem as lâminas exigindo mais que a vida




Image: Vjeran Lisjak, from: sxc.hu


Crítica

Jacqueline Collodo Gomes

"Podia ter sido melhor"
Remexe a alma com pá de carvão
Garboso feito de um público impiedoso
Pesponto por trás da amotinação

"Podia ter sido melhor"
Descem as lâminas exigindo mais que a vida
Cretino mover, desatino em rima
Que fica e fica, até o amanhecer

E os teus ossos sentem
A dura crítica do coro abrigado
Queimando em rumo desavisado
Que não se sabe conter ou encerrar

Já não lhe basta o suor dos teus planos?
A dura cerviz de não contar danos?
Que mais você quer, jugo maldito?
Quer o chão, o escorar da tontura, onde resisto?

Que mais você quer, solo tolo, ingrato?
Que mais você quer? Quer a saga servida em prato?
"Podia ter sido melhor" - sua faixa maldita?
Que escola você rendeu pra colocar isto em fita?

14/06/2012, 23:16.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Apenas me faça rir. Mesmo que o dia lá fora seja triste.


Image from: sxc.hu

Apenas me faça rir

- Jacqueline Collodo Gomes

Apenas me faça rir.
Mesmo que o dia lá fora seja triste.
Mesmo se a cidade estiver protestando.
Mesmo se algum ditador pôr em prática seu plano
causar tumulto, uma guerra, infindos danos...
Aqui dentro... Apenas me faça rir.

Mesmo que o vento sacuda portas e janelas.
Mesmo que neve onde nunca costuma nevar.
Mesmo que o telhado se desprenda, estremeça
e haja ameaça do mundo acabar...
Aqui dentro... Entre nós... Apenas me faça rir.

Que se apaguem os rastros e não existam caminhos!
Silenciem-se as estrelas, à sua conexa luz!
Anulem-se as histórias dos povos, todos, todas elas!
Que tudo se exploda! E não se narre mais jus!
Mas, aqui dentro, entre nós... Apenas me faça rir.

11/06/2012. 00:25.


Como que por alguma gaveta, perdida...


Image: Céline Mackowiak; sxc.hu


Onde é que eu me coloquei esses dias?

Jacqueline Collodo Gomes

Onde é que eu me coloquei esses dias?
Como que por alguma gaveta, perdida...
Movida, então. Eu não tenho gavetas no quarto.

Assim, talvez eu esteja entre os veios do grafiato
pelos declives sombreados que a tinta não alcança...

Ou, vai ver, eu me guardei na sua gaveta
para estar com você pelo menos em algum momento do dia.

Ou mesmo, somente nas mãos do trabalho. Na profissional.
Na "qualquer coisa que faço" para o público. E tudo.

Mas, bem longe da que toma este assento, hoje.
E da que tenta dizer as coisas que precisa segurar.

Bem longe desta peça desconfortável ditando mapas
medindo terras, vendo serra se inclinar ao mar.

Bem diferente da que já não temia alforria
e já não se rendia ao constrangimento do não merecer.

São retoques em uma velha foto? Partículas da paisagem antiga?
Onde é que eu me coloquei esses dias? E, onde eu estou, na vida?

24/05/2012, 20:30.



sábado, 9 de junho de 2012

A maior e mais importante história a ser escrita...

Image from: sxc.hu

As questões que não somem...
...o que há para acontecer

Jacqueline Collodo Gomes

Um escritor tem que escrever. Exercício. E muito já me desfiz da realidade pela fantasia. Mas as questões não somem. As questões da vida, e as pessoas que sofrem por nós, à nossa espera, não somem só porque escrevemos um texto e exercitamos a escrita. A maior e mais importante história a ser escrita por um escritor é a dele mesmo. 
E não se utiliza de caneta de solidão. Vivendo é que ela acontece. Confraternizando, socializando, procurando pessoas, tocando a vida, alcançando a arte do ir, vir, ouvir, dizer, perdoar, crescer. Tudo isto fora de uma tela, ou do papel em que a gramatura impera. No cara-a-cara. No colocar palavras em movimento. No traduzir em ação e gestos o que coloca o brilho no olhar. E assim o enredo vai acontecendo. Há os coadjuvantes, depois o que será par ao principal. Espetáculo ligado 24hs do dia para o Universo assistir. Para além das nuvens já garantiram a pipoca. Páginas em que o próprio autor coloca um marcador de fazer momentos serem destacados e eternizados.
Mesmo que muito se esconda e na sua técnica tente se convencer. A realidade ainda estará a sua espera. Não dá para ditá-la com régua e dissertação. E sua melhor história pode acabar nunca nascendo por não fazê-la simplesmente acontecer.

07/06/2012. 04:56.


Abaixo, um momento suave e engraçadinho, especialmente para quem está enfrentando o frio do interior de São Paulo - e que frio! Bom Sábado!


Sobre títulos

- Por que é tão difícil dar título a uma poesia ou texto?

- Não acho difícil dar título a poesia, respondeu-me o amigo poeta.

Sentindo aqueles segundos constrangedores de se ser o único exemplo do comentário de ocasião, respondi:

- Ah! Que sorte você tem, então. Eu às vezes empaco... Escrevo algo sem título e depois o título não vem. Fico olhando pro texto como se ele fosse me contar como se chama.

Dilema de se estar à mercê da escrita.

09/06/2012, 00:03.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Se a noite não foi gentil, assopro teus pensamentos


Photo by Margarit.Ralev.Com, from sxc.hu

Eu serei a resposta

- Jacqueline Collodo Gomes

Inspirada na canção Answer, Sarah Mclachlan

Um primeiro traço no beijo suave de bom dia
face desenhada na resposta ao fim do dilema

Meu tronco - base para você habitar
Teu teto,  meus braços

Se a noite não foi gentil, assopro teus pensamentos
faço lavar a mente para o importar, um na vida do outro

E pernas guiam-nos para uma manhã do sempre
do concreto entre cotovelos e ombros

que não nos deixa balançar.
Um procurar delicado e cúmplice.

E eu sempre poderei dizer do precisar-te
mais que numerosos um pelo outro.

03/06/2012. 23:57.



Adeus, Domingo sofrido

Image from: sxc.hu


Adeus, Domingo sofrido

- Jacqueline Collodo Gomes

Hoje é Domingo - pé de cachimbo!
Cantiga infantil. A criança sorriu.
Coloque roupa nova. Branca, lavada e solta
que a emoção agora é outra.

Pés, pernas, e um contundente caráter.
Hoje é Domingo. Sorvete caindo
sou eu sendo eu mesma.
Longe do que não vê além de pernas.

Sem signos mais. Sem mais sinais.
Porta encostada. Fresta animada.
Sou eu sendo o que sou.
Brisa e melodia mansa. Estou.

Adeus, velho Domingo, de rimas em pingos.
Adeus, antiga ruga sofrida e capataz.
Adeus, palavras sem atitude.
Adeus, malícia em altitude.

Adeus, Domingo sofrido.
Adeus. Porque eu, eu
sou um par de asas tênues
gentileza que não se pode ler com lente fugaz.

03/06/2012. 23:41.

sábado, 2 de junho de 2012

Tem quem tenha poesia na veia. Faísca.

Image from: sxc.hu

Desrazão, com razão

Jacqueline Collodo Gomes

Será que tudo acontece por uma razão? Será mesmo? Suspiro... (um efeito sonoro, com pensamento e caneta de pena). Não. Um completo não para esta questão.
Às vezes, a gente só se tromba nos outros mesmo. Às vezes acaba sendo um imenso atraso de vida. Encontros não planejados, que se não chocados, mais feliz teria sido a ida.
Às vezes tudo uma grande porcaria. Jogados numa mesma ilha. Formando-se matilha. - Chega de rima neste parágrafo!

O popularzão me irrita tanto...! E sonhar, assim, como que tendo batido a cabeça, deixado o cérebro escapar pelas orelhas... Um sonhar tolinho de fundamento, de que tudo tem uma razão, aff! O que é a vida de quem isto afirma? Só maravilha? Será que só eu penso desta forma, então? Que tem coisas que não são um presente para ninguém, que se considere tê-lo em especial por uma única e incrível razão?

Tem quem tenha poesia na veia. Faísca. Fagulha - centelha. E tem quem escreva por uma qualquer desrazão - que em si mesma desconheça.

01/06/2012, 22:06.

Não acredite em tudo o que você vê. Questione. 

Tudo por uma razão? Não. A pessoa é que arruma pra cabeça, mesmo. Rssssssssss.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Amor como o nosso não se explica

Em 16/05/2012, bloguinho soprando velinhas... 01 Ano de Ah, Poesia!
A primeira postagem: Pauta - clique para ler.


Image from: sxc.hu


E se aplica


- Jacqueline Collodo Gomes

Amor como o nosso não se explica.
Sente-se. E se aplica.
É só. Dois navegantes num mesmo coro.

Eu sou a asa branca dançando
dançando ao seu redor, quando
sua mão me alcança. Dois na mesma dança.

Você é. Você é a pedra que alumia
o caminho dos meus dias,
o meu todo, todo em vida.

E nós somos. E nós somos,
à um sentido que nos guia,
fábrica e textura. Clima em poesia.

01/06/2012. 07:41.


"Seus olhos tomam meus detalhes.
Os meus, teus goles de amor."