quinta-feira, 9 de junho de 2011

Batidas leves e seguidas no telhado

Fria Quinta-feira
Jacqueline Collodo Gomes

Batidas leves e seguidas no telhado
Gotas de chuva substituem as de orvalho no início da manhã
E fazem frio, fazem senti-lo gerado

Olho um céu encoberto que divide realidades distintas
Que impera sobre realidades distintas com silêncio
Paz e o poder ser simplesmente este céu cinza

As agulhas da poesia se aquecem
Tremem, gemem, querem fazer um bom trabalho
Chamam-me a versos alegres

Já sabem de minhas dores
Mas são tão boas senhoras
Querem me fazer tecer flores

Deixar o que me entristece
De dar as mesmas voltas, dizem-me, “esquece!”
“Dê espaço pra vida substituir o ruim”

E os barulhos do começo do dia se tornam mais evidentes
Do começo do dia de quem? Para o meu, nem quero mesmo suspiros
Só a paz e o silêncio de pôr os pensamentos além

E ser tão simplesmente o que eu escrever para mim.

09/06/11, 08:35

sábado, 4 de junho de 2011

Uma poesia das antigas

...e também porque é Junho. Mais em meu site: Contos e Versos


Manhã de Junho

Jacqueline Collodo Gomes

Há sol em algum lugar
deste céu nublado
carregado
pra manar arrepios na pele.


Não se avistam mais pessoas,
submersas em couro,
camurça ou jeans.
O topo de seu caráter impera.


Pouco grasnado. Pouco barulho.

Os pássaros também procuram,
se o sol está perto
neste céu deserto.


É tudo cinza, e só um pouco azul.

E ele fita uma faísca da despedida
do que foi a noite, pelo vitrô do carro.

As mãos no volante, o pescoço esgueirado.
É a mim que procura.


Não vai abrir o céu?
Não vai fazer calor?
O sol por seu trabalho
tem amor.


E por avistar esses dois
que tanto se desejam
e tanto
se procuram...


Há sol sorrindo por aí
só de ver o quanto a gente combina.



21/06/08 - 06:48 A.M.

Outra vez, e tudo!

Eu me irrito!

Jacqueline Collodo Gomes

Outra vez, e tudo!
Mal passam os minutos
dos teus lábios eu escuto
É: - Não! É: - Não!

Nem consideras a proposta
Parece-lhe outra conversa posta
Em que não confias e nem apostas
É sempre: - Não!

Absurdo!
Eu me irrito com este teu jeito mudo!
Fechado em ti mesmo
Com o raciocínio a esmo
É não pra tudo!

Não tenta nada!
Não pensa um minuto!
Não te vale o que digo?
Isso me irrita profundo!

Tão rígido com o novo
Por que não o consideras?
Pode trazer o que esperas.
Mas, não! Mas, não!

Sempre teu pensamento está certo
Tua visão está direcionada
Mas isto digo, não é incerto
Que está apontada para o nada

Eu me irrito e não só
Mas me magoo também
Porque a sugestão dos fechados te vale
Mas as minhas são como de ninguém.

29/05/01